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Voluntariado faz bem para quem ajuda:

Aracy Bronhol: ‘‘Comecei pensando em ajudar, mas no fim sou eu quem mais ganha.’’

Estudos indicam que auxiliar outras pessoas pode fazer bem para a saúde física e mental, em especial para pessoas acima de 60 anos.

 

 

Niderça Ortega: ''Sensação que a gente sente como voluntária é indiscutível.''

Curitiba - Há aproximadamente 20 anos, a então corretora de imóveis Aracy Furtado da Costa Bronholo foi convidada por uma amiga a trabalhar como voluntária no Centro Social de uma Igreja Católica. Sofrendo de depressão, ela aceitou o convite, envolveu-se em todo tipo de atividade promovida pela instituição e acabou tomando gosto pela iniciativa, tanto que hoje, aos 79 anos e aposentada, não abre mão do seu trabalho voluntário.

 

Todas as terças e quintas-feiras, Aracy ''bate ponto'' na pequena farmácia do Centro Social Mensagem da Paz, vinculado à Federação Espírita, no bairro Rebouças em Curitiba. Ali ela organiza a distribuição de medicamentos, de acordo com as prescrições das duas médicas voluntárias, para famílias da favela do Parolin. Os remédios gratuitos foram implantados no centro por causa do voluntarismo de Aracy, que garante a farmácia com amostras grátis cedidas por médicos e clínicas solicitados por ela.

''Comecei pedindo as amostras para médicos que eu consultava. Hoje os médicos me ligam para avisar que têm medicamentos para nos dar'', conta, ressaltando que hoje além de atender a favela, a medicação excedente é encaminhada a asilos. Ela revela, no entanto, que mais do que a população carente, é ela quem tem os maiores benefícios por este trabalho. ''Comecei pensando em ajudar os outros, mas no fim sou eu quem mais ganha com isso, porque me dá um prazer enorme. Sou uma pessoa feliz porque sinto que o que faço é útil'', diz, ressaltando que se as pessoas idosas soubessem ''o bem que o trabalho voluntário faz, não ficariam sem fazer nada''.

E não é só para a cabeça que o voluntariado faz bem. Diversos estudos comprovam que ajudar outras pessoas pode fazer bem para a saúde física e mental, em especial para pessoas acima de 60 anos. ''A aposentadoria causa stress, gera uma série de reações à nova situação. Primeiro vem a tristeza, raiva, medo, tudo isso pode levar à depressão'', afirma o médico geriatra e professor de geriatria da Universidade Evangélica de Medicina, Rubens de Fraga Junior, que falou sobre o tema durante o 4º Congresso ''Nós Podemos Paraná'', realizado este mês em Curitiba, tendo como tema principal o voluntariado.

Nesta fase, de acordo com ele, o trabalho voluntariado pode ter o papel de promover a saúde para quem se aposenta. ''Estudos mostram que o ato de doar-se gera um efeito anti-stress, que é benéfico para o organismo, podendo reduzir o risco de acidentes cardiovasculares, de depressão. O voluntarismo vem aumentar a longevidade, diminuindo o risco da pessoa desenvolver o que chamamos de fragilidade e poder envelhecer com capacidade funcional'', diz.

A fragilidade é uma condição geriátrica marcada pela perda de peso, perda de massa muscular e de baixa de energia e força. Já capacidade funcional significa poder realizar tarefas do dia-a-dia, como tomar banho ou gerenciar o cartão de crédito, sem depender de outras pessoas. ''Com o voluntariado, a pessoa fortalece sua rede social, melhora sua auto-estima e fortalece também o próprio organismo'', explica o geriatra.

Por esses motivos, ele diz que sempre recomenda a seus pacientes para que se engajem em alguma atividade como voluntários. Ele mesmo já cumpre esse papel há cerca de dez anos. Atualmente, ministra palestras sobre saúde para idosos que frequentam a Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, voltada para o atendimento da Terceira Idade em Curitiba.

A unidade conta com 32 voluntários, a maioria idosos, em diversas atividades, entre médicos que dão palestras, professores de dança, de atividades físicas e de idiomas, entre outras. Segundo a assistente social Lucia Halvass, que coordena os voluntários do local, geralmente o voluntário é uma pessoa que se aposentou e se dispõe a colocar os seu conhecimento a serviço de outras. ''É uma via de duas mãos. Essas pessoas sentem uma alegria enorme pelo que fazem, elas trabalham com prazer'', diz.

Prova disso é a professora de yoga Niderça Aparecida Ortega, de 59 anos, e que há quatro dá aula uma vez por semana aos idosos da unidade. ''Eu também dou aula profissionalmente, mas a sensação que a gente sente como voluntária é indiscutível. É gratificante ver que você está ajudando as pessoas, que estou ajudando-os a criar a consciência de que é possível envelhecer com qualidade de vida.''

Maigue Gueths
Equipe da Folha

 

 

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"Quem tem interesse em ajudar, nunca espera ou pensa que a ajuda seja muita ou pouca. Auxilia sem exigências, sem medidas para mais ou para menos!
(João Evangelista, no livro "Francisco de Assis", do Espírito Miramez, psicografia de João Nunes Maia.)
 

 

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